Hoje o país sofreu uma grande perda, hoje a grande correnteza levou-nos Artur da Távola. Contrariando tudo o que eu escrevi abaixo, venho postar uma mensagem sobre perda...
Conheci Artur da Távola ainda criança, não pessoalmente, mas em linhas... que me despertaram para algo maior. Isso aconteceu há 8 anos atrás...
Naquela época havia surgido no mercado uma revista voltada para os amantes de gatos, lembro-me de ter ido à banca comprar uma revista qualquer, quando me deparo com um gatinho estampado na capa de um periódico, sem pensar duas vezes comprei-o.
Foi ao folhear a revista que encontrei Artur da Távola, estava lá me convidando à leitura, a "Ode ao gato". Devorei letra por letra, linha após linha. Era uma ode finamente escrita e que desnudava a aura e os mitos que cercam os felinos, perfeito! Ainda não satisfeita mostrei aquelas linhas à minha mãe e juntas pusemo-nos a pensar quem seria aquele autor. Na tarde daquele dia o identificamos pela tv. Passava um programa chamado "Quem tem medo de música clássica?" e lá estava o então senador Artur da Távola apresentando...
Nesse programa ele nos mostrava o quão envolvente podia ser a música erudita... o quão fascinante eram aquelas notas... mostrava os diálogos entre os instrumentos (ah! como eu gosto daqueles diálogos e como era legal naquela época!)
Eram coisas que até então eu não havia notado, oito anos passados e cá estou eu; ainda me lembro das suas palavras ao terminar o programa:
"Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão!"
Segue abaixo um trecho de "ode ao gato", que tanto me inspirou:
"O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem."
(Extraído de "Ode ao gato"- Artur da Távola)
Descanse em paz...






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